Casa, teatro e esquina

quinta-feira, julho 06, 2006

Ser feliz é inventar

E quem que disse seria fácil? A vida tem muito desse vai-não-vai e a gente fica morrendo da indecisão e do remorso. Hesita daqui, esquece de lá, o tempo vai correndo atrás do tempo e quando você menos nota, sua vida não passou de uma palavra presa na garganta.

Foi com medo de me sufocar que eu reativei o "Casa, teatro e esquina". Agora com novo teto e ares de modernidade, diga-se de passagem. Eu até tentei me prender à tradição e continuar no meu velho lar, mas acho que a burocracia e o mau-funcionamento do meu ex-servidor me obrigaram a experimentar esse cheiro de plástico-bolha recém tirado da caixa de papelão.

(Corta-se a faixa na frente da porta. Flashes. Aplausos. Tumulto. Cuidado, apreciem com moderação)

Inverno. Tédio. Os mais românticos logo suspirariam por um beijo de namorada; os mais realistas comprariam um casaco e fechariam a janela; os mais azarados têm de freqüentar a universidade enquanto o resto do mundo está de férias.


Mas o importante é não reclamar. A vida só é amarga para quem a deseja assim. Qualquer ser humano dotado de um pouco de imaginação e vontade de sorrir consegue utilizar a função imaginativa da comunicação para proveito próprio. Além do mais, vale qualquer pequena tentativa na hora de ser feliz: assistir um filme até mais tarde (bom pedido ontem na Globo), rir debaixo de chuva, encontrar os amigos num terminal lotado, comer bala de leite enquanto as pessoas ao seu lado estão fumando. A felicidade é um estado inerente a quem sabe inventar a vida.

Ah! Um recorte engraçado: o que esperar de uma viagem quase solitária (há quem diga que é impossível estar sozinho em um ônibus. Eu discordo) no frio de julho? Com certeza, ninguém responderia que acharia um pouco de diversão. Entretanto, ri por mais de dez minutos com um bêbado cantando brega. Imaginem aquela voz arrastada pela pinga melodiando frases como "Passei quinze dias fora e você me esperando...é gaia", só posso dizer que foi algo, no mínimo, animador.

Bom, vou parar de falar por hoje. A garganta está inflamada devido ao frio. Portanto, vou me enrolar no cobertor e tentar assistir "Ran", do mestre Akira Kurosawa. Sei que não é toda a locadora que vive trazendo um filme do Godard por mês, mas a quem interessar, assista "Acossado", porque também de um pouco de romantismo deve viver o espírito humano.

E tenho dito!

3 Comments:

  • vamo brincar!!eu levanto a mão tb!abraço!

    By Anonymous Anônimo, at 21:10  

  • esse texto foi maravilhoso pra abrir seu blog ju!..
    adorei!
    realmente..as vezes temos que transformar das tripas coração pra ficarmos ou sermos felizes..
    mas o que importa é o resultado..se conseguirmos ta valendo qualquer coisa por isso..
    pois pra ser feliz nos dias de hoje..ta dificil..xT
    mas damos aquele jeitinho pra isso ne ju?!
    te amuuuuuuuuuuu
    x********

    By Anonymous Anônimo, at 21:39  

  • doidu... kkkkkkkk ^^' vc vem me passar esse negocio agora pra ler... ta foda viu kkkkkkkkk vou durmir jaja
    tou com sono =P
    mas, vindo de vc eu sei q tem um bom texto ai nesse blog.. (e para com essa peste de blog ¬¬' vc n tem oq fazer n eh mermao? q poha... hahahaha)
    flw cobaia
    abraçao

    By Anonymous Anônimo, at 23:33  

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