Casa, teatro e esquina

sexta-feira, agosto 25, 2006

O fogo da solidão

E nada impediu de o mundo não ser perfeito, ele assim se fez por si só. Aliás, a perfeição não existe, apenas a busca pela mesma. Nem os homens, que se encontram impregnados de um perfume caro chamado orgulho, são perfeitos: apenas se enganam quanto à sua incapacidade diante das coisas. E acho que nem isso eu consigo fazer muito bem. Ainda bem...

Afinal, de nada vale ser o dono da verdade - a não ser que ela lhe renda alguns sorrisos amarelos e uns milhões de centavos no bolso. Bom, mas bom mesmo, é saber que nenhum caminho conduz ao final e que esse final sequer existe. Desistam, irmãos! O que nos resta é colocar a cabeça para fora da janela do trem e respirar o monóxido de carbono gerado na queima do carvão. É o que os poetas chamam de êxtase, uma espécie de tontura causada pelo excesso de emoção vital.

Embora o inverno tente me convencer do contrário, a vida é um forno. A temperatura aumenta com o tempo e a gente precisa da carne para dividir o nosso duro sofrimento de inox. Será que o prato final vai fazer sucesso? Espero que sejamos aprovados pelo chef e ele nos leve ao banquete da arte e da glória, como um resultado positivo do poder da criação. Sei que o nosso tempo é pouco, mas é suficiente para que a demora não transponha o nosso jovem prazo de validade.

A união consiste em não deixar o fogo nos consumir.