A sede dos pássaros
Cansaço ou falta de tempo: nada disso justifica a minha ausência. A vida, definitivamente, não é feita para as pessoas que vivem de desculpas. Portanto, prefiro aparecer de peito aberto e dizer que não venho tendo tanta paciência assim. O quê? Logo eu, o senhor da calma? É...por que não admitir que o tempo destrói tudo, como argumentou Gaspar Noé em um de seus polêmicos filmes? Não adianta tentar fugir: também eu sou vítima desse processo.
E partindo da suposição de que o tempo é nosso deus e de que nosso livre-arbítrio cai de joelhos diante de sua imponência, eu me lembro dos pássaros. Sim, os pássaros que a natureza encarregou-se de guiar até a minha varanda. Aos domingos sou obrigado a renovar a água (vezes por imposição materna, eu sei) e penso: por que eles sempre voltam aqui? Seria por que eu sempre ofereço a eles um pouco de luz vital? Ou eles não têm outro lugar no imenso e absurdo planeta em que possam encontrar água?
A paz encontrada pelo hábito é que os traz de volta ao meu lar todos os domingos. Embora amanhã eu não precise ir até a varanda, graças às chuvas restantes do inverno, sei que os encontrarei de novo com um canto da mais triste alegria. E, para não deixar que o tempo os arranque da minha sofrível existência, cultivo essa simples e bela rotina de prolongar e afinar as notas que compôem a sua música. A música dos pássaros, a música da liberdade, a música do vôo. Deixá-los ao léu seria desenhar um mapa para que se abrigassem em outra varanda.
Não deixe que a sede de tudo que for belo afaste-o de você. Os homens também precisam de água em seus vôos diários.
E partindo da suposição de que o tempo é nosso deus e de que nosso livre-arbítrio cai de joelhos diante de sua imponência, eu me lembro dos pássaros. Sim, os pássaros que a natureza encarregou-se de guiar até a minha varanda. Aos domingos sou obrigado a renovar a água (vezes por imposição materna, eu sei) e penso: por que eles sempre voltam aqui? Seria por que eu sempre ofereço a eles um pouco de luz vital? Ou eles não têm outro lugar no imenso e absurdo planeta em que possam encontrar água?
A paz encontrada pelo hábito é que os traz de volta ao meu lar todos os domingos. Embora amanhã eu não precise ir até a varanda, graças às chuvas restantes do inverno, sei que os encontrarei de novo com um canto da mais triste alegria. E, para não deixar que o tempo os arranque da minha sofrível existência, cultivo essa simples e bela rotina de prolongar e afinar as notas que compôem a sua música. A música dos pássaros, a música da liberdade, a música do vôo. Deixá-los ao léu seria desenhar um mapa para que se abrigassem em outra varanda.
Não deixe que a sede de tudo que for belo afaste-o de você. Os homens também precisam de água em seus vôos diários.

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