Vidas em trânsito
Quantas oportunidades de nos relacionarmos com as pessoas realmente temos no mundo moderno? Serei razoável bastante e generalizar, dizendo que são raríssimas. E por que não dizer que os ônibus poderiam cumprir essa função? Em alguns países, as pessoas cultivam o hábito de fazer do ônibus mais do que um meio de transporte, mas também se reúnem em estações e veículos para discursarem sobre suas vidas e seus cotidianos. Uma pena para nós...
Em minha pacata cidade, andar de ônibus nunca foi sinal de alegria. Erro de planejamento político ou espírito de consumismo e realização individual? Eu não sei. Apenas posso descrever a tristeza da segregação que nos atinge. O preconceito já se inicia na formação das linhas de roteiro, quando não existem ônibus que cruzam bairros finos concomitantemente a bairros pobres. O número 100, por exemplo, é um dos mais bem-vistos e arrumados, afinal, atravessa os dois shoppings da cidade. As pessoas se regojizam de estarem indo às compras em um prédio limpo e elegante. É a vitória do homem contemporâneo!
Deve ser realmente interessante você acordar cedo e, ao invés de se lembrar das aulas chatas na escola ou na faculdade, você pudesse ter a certeza de encontrar pessoas interessantes e falar de coisas interessantes. Porém, a nova diversão do principal terminal da cidade tem sido ver os cobradores em horário de lanche lançarem algumas piadas insossas sobre um travesti orgulhoso e exibicionista. Ao menos, é menos depressivo do que ver senhoras pedindo esmola alegando ter filhos para alimentarem, mas serem vistas segundos depois com uma carteira novíssima de cigarro barato.
Tudo bem, ao menos fui rápido o bastante para conseguir um assento no ônibus que leva alguns aspirantes a pequenos-burgueses. Não se preocupem, eu lembrei de me oferecer para segurar os cadernos dos que não tiveram a mesma sorte que eu. Eu desço no próximo ponto. Pronto. Por nada. Foi um prazer! Em cinco minutos eu estou na casa da minha querida namorada e esqueço da miséria embutida em cada litro de combustível queimado nos motores do nosso sistema de transporte público.
Em minha pacata cidade, andar de ônibus nunca foi sinal de alegria. Erro de planejamento político ou espírito de consumismo e realização individual? Eu não sei. Apenas posso descrever a tristeza da segregação que nos atinge. O preconceito já se inicia na formação das linhas de roteiro, quando não existem ônibus que cruzam bairros finos concomitantemente a bairros pobres. O número 100, por exemplo, é um dos mais bem-vistos e arrumados, afinal, atravessa os dois shoppings da cidade. As pessoas se regojizam de estarem indo às compras em um prédio limpo e elegante. É a vitória do homem contemporâneo!
Deve ser realmente interessante você acordar cedo e, ao invés de se lembrar das aulas chatas na escola ou na faculdade, você pudesse ter a certeza de encontrar pessoas interessantes e falar de coisas interessantes. Porém, a nova diversão do principal terminal da cidade tem sido ver os cobradores em horário de lanche lançarem algumas piadas insossas sobre um travesti orgulhoso e exibicionista. Ao menos, é menos depressivo do que ver senhoras pedindo esmola alegando ter filhos para alimentarem, mas serem vistas segundos depois com uma carteira novíssima de cigarro barato.
Tudo bem, ao menos fui rápido o bastante para conseguir um assento no ônibus que leva alguns aspirantes a pequenos-burgueses. Não se preocupem, eu lembrei de me oferecer para segurar os cadernos dos que não tiveram a mesma sorte que eu. Eu desço no próximo ponto. Pronto. Por nada. Foi um prazer! Em cinco minutos eu estou na casa da minha querida namorada e esqueço da miséria embutida em cada litro de combustível queimado nos motores do nosso sistema de transporte público.

1 Comments:
É verdade. Nosso sistema de transporte só alimenta a distância entre seus usuários. Sua ineficácia transforma-os em quase inimigos, numa batalha diária por um pouco de conforto.
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Ailton, at 09:28
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