Casa, teatro e esquina

sexta-feira, novembro 10, 2006

Marinheiro de primeira viagem

Eu e meu barquinho de papel. Era o único da escola que subia as escadas sem rasgar. A encarnação da suavidade. E eu enchi o barquinho com tudo que eu precisava: sonho, sorriso, sopro, casa, jacaré e fita dos Mamonas. A linha que me dava o comando da minha tripulação era tão fina que podia arrebentar-se a qualquer momento, mas nada que um nó não desse conta. Ser criança é nunca ter medo do impossível. E eu enfrentava todos os perigos, como Cristóvão Colombo fazia nas aulas de Estudos Sociais.

E os dias desaguávam. Até que fui para a porta da escola esperar minha mãe para alcançarmos mares ainda maiores. Os meus olhos avistaram, lá fora, outros estudantes, mas esses não tinham barquinho ou felicidade. Estavam sendo golpeados e arrastados por piratas, que mais tarde descobri serem policiais. A partir daquele instante, percebi que a vida não era de papel, mas de sangue e confusão. Pela primeira vez eu estava triste por não ter enchido meu barco com pessoas. O fio se partiu, mas, antes que eu pudesse agir, meu estômago deu um nó. Nó cego de desespero.

Depois desse momento de vertigem, notei que não conseguia mais viver sem alguém ao meu redor, qualquer mão ou olho que ajude a me guiar. O barbante continua tão vivo que às vezes ainda acho estar na direção do leme. A verdade é que eu era jovem demais para estar no controle e, na minha irritante mania de saltar etapas, não aprendi a lidar com a solidão. E agora, quanto maior o mar, maior o vazio que assombra a cabine. Como seria mais fácil traçar o meu próprio destino se eu pudesse romper os laços da união humana.

Há dez anos atrás, não me ensinaram que viver era tão penoso quanto encontrar um caminho seguro para se cruzar o Pacífico. Só hoje percebo que eu ainda não sei navegar.

2 Comments:

  • aiiii aiii...
    poizeh...qdo a gent pensa q sabe, a gent nem imagina u q tem mais...
    owww vida cruel!! hauhahauhua
    juh se vc n sabe navegar imagine eu...hauhahaaha
    mas a gent aprende!! tenho certeza disso!!
    ahnn...uma parte q me xamou atebçaum...a fita dos Mamonas hauahhauhaa
    bateu saudade...afff ke triste...
    te amuuuuuuuuh amoreeee mt msm
    xeruuu

    By Anonymous Anônimo, at 22:51  

  • Juzão, tdo bom?Senti uma pontinha de pessimismo nessa sua crônica..oxe minino, cadê o reino da alegria?Vamos cantar a beleza de sermos eternos aprendizes!
    Olha só meu exemplo..ainda estou com o gostinho doce do teste de hj...kk!
    Bjus fofo, brigadão pela força que vc me deu!

    By Anonymous Anônimo, at 22:25  

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