A ovelha negra
"Tempos modernos" é o primeiro grito de Charles Chaplin contra o absurdo do capitalismo industrial. Zona de transição entre o riso e a revolta, entre o cinema mudo e o falado, entre o Vagabundo e o seu adeus. O enredo é apresentado como uma corrida do homem em busca à felicidade. Mas que felicidade é essa? E quais são os obstáculos que impede ao homem alcançar o seu tesouro? A primeira cena, que faz uma justaposição de imagens entre um rebanho de ovelhas e um grupo de operários, ironicamente sugere que nosso maior obstáculo é a passividade.
Pequenos enxertos na obra declaram sutilmente seus valores e convicções políticas. A cena em que é confundido com um militante comunista coloca em xeque a coincidência das imagens. Como de costume, as figuras do policial, do patrão e do burguês são ridicularizadas e desafiadas. Um paradoxo ocorre quando, durante uma revolta na prisão, Carlitos ajuda os policiais a conterem a greve. A minha solução foi considerar que o lado humanístico de Chaplin está acima de qualquer interesse de classe: a vida acima de qualquer tipo de violência teórica.
Portanto, não é de se espantar que a personagem vivida por Paulette Goddard prefira a fuga ao enfrentamento depois de realizar a justa partilha dos alimentos entre as crianças. Sua provocação contra o dono das bananas que roubou é, antes de ser sensual, uma ode contra o abuso da propriedade privada. Como todas as protagonistas femininas de Chaplin, Goddard é marcada pela melancolia, pela solidão e pela ousadia diante do universo. Pela primeira vez, Carlitos tem uma companheira para a caminhada final: são dois vagabundos, dois anarquistas, duas almas moralmente livres que se encerram em si mesmas. Chaplin é porta-voz do feminismo quando constrói mulheres que buscam se libertar da lógica machista.
Carlitos tem os olhos além. Onde vemos a mercadoria, ele vê o instrumento para o riso, para a dança, para a libertação. Em "Tempos modernos" a máquina engole o homem, mas Carlitos engole a máquina. Uma cena particularmente interessante é quando ele dança balé e jorra óleo no rosto dos outros operários, pois, para se safar dos contra-golpes, ele liga a máquina e todos os homens vão correndo salvar a produção: é o fetichismo da produção acima dos nossos interesses individuais. Sua canção final é uma sátira pseudo-italiana como crítica aos costumes burgueses. Porém, nos créditos iniciais, Carlitos é apresentado como um operário. Mas sugiro que procurem uma ovelha negra no rebanho da primeira cena.
Pequenos enxertos na obra declaram sutilmente seus valores e convicções políticas. A cena em que é confundido com um militante comunista coloca em xeque a coincidência das imagens. Como de costume, as figuras do policial, do patrão e do burguês são ridicularizadas e desafiadas. Um paradoxo ocorre quando, durante uma revolta na prisão, Carlitos ajuda os policiais a conterem a greve. A minha solução foi considerar que o lado humanístico de Chaplin está acima de qualquer interesse de classe: a vida acima de qualquer tipo de violência teórica.
Portanto, não é de se espantar que a personagem vivida por Paulette Goddard prefira a fuga ao enfrentamento depois de realizar a justa partilha dos alimentos entre as crianças. Sua provocação contra o dono das bananas que roubou é, antes de ser sensual, uma ode contra o abuso da propriedade privada. Como todas as protagonistas femininas de Chaplin, Goddard é marcada pela melancolia, pela solidão e pela ousadia diante do universo. Pela primeira vez, Carlitos tem uma companheira para a caminhada final: são dois vagabundos, dois anarquistas, duas almas moralmente livres que se encerram em si mesmas. Chaplin é porta-voz do feminismo quando constrói mulheres que buscam se libertar da lógica machista.
Carlitos tem os olhos além. Onde vemos a mercadoria, ele vê o instrumento para o riso, para a dança, para a libertação. Em "Tempos modernos" a máquina engole o homem, mas Carlitos engole a máquina. Uma cena particularmente interessante é quando ele dança balé e jorra óleo no rosto dos outros operários, pois, para se safar dos contra-golpes, ele liga a máquina e todos os homens vão correndo salvar a produção: é o fetichismo da produção acima dos nossos interesses individuais. Sua canção final é uma sátira pseudo-italiana como crítica aos costumes burgueses. Porém, nos créditos iniciais, Carlitos é apresentado como um operário. Mas sugiro que procurem uma ovelha negra no rebanho da primeira cena.

1 Comments:
camarada, você é sem noção! muito boa análise!
enquanto lia vinha aquela lembraça meio embaçada de cada cena... Que filme! O qual vimos junto com nossa turma ,inclusive, há uns dois anos. :)
E "vale a pena ver de novo". \o/
hueheuheue
té mais, camarada!
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Anônimo, at 01:34
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