Carnaval e semiótica
Pirambu. Avisto pela janela e são panelas que avisto. As fantasias povoam as ruas e marcham sob um sotaque baiano. E se madrugo um pouco para encontrar a praia deserta, logo ela é invadida por bêbados, que enxergam turvamente em suas latas de alumínio o caminho mais estreito para a alegria instantânea. As festividades exarcebam o envolvimento das multidões e ignoram a espontaneidade envolvida em suas raízes. Uma briga no fim da tarde e cinco pessoas presas. O relógio e os pés continuam pulando. A folia é um misto de suor, espuma e cerveja.
Ligo a televisão. Descaracterizando a cultura popular, no Rio de Janeiro, mulatas usam vestes vitorianas para a satisfação de uma elite prepotentemente europeizada. O "adeus à carne" é celebrado em seu inverso e, sobrepondo-se inclusive à dança, a carne domina todas as etapas do espetáculo. A carne do garoto João Hélio foi arrastada brutalmente por sete quilômetros há poucos dias, mas o samba não pára um segundo sequer. (Quantos quilômetros tem o sambódromo?) Gosto das manifestações de rua e dos personagens regionais, mas a mistificação das festas está longe de ser uma festa.
Ainda existem ótimos refúgios (e não só em Olinda) para a cultura original, a cultura verdadeira. Faço, portanto, uma crítica apenas à mercantilização cultural excessiva. O mito é uma fala que capta um fragmento da realidade e o transforma em totalidade e, ainda pior, em verdade inquestionável. É a naturalização dos costumes burgueses. Quando todos nós nascemos, aprendemos a reproduzir e legitimar a nossa existência através de alguns estereótipos como "o jeitinho brasileiro" ou "político é tudo igual". Aprendemos também a sermos cristãos e conformados por natureza. Afinal, para os brasileiros, mudança é assunto dos céus: nós somos o carnaval.
Ligo a televisão. Descaracterizando a cultura popular, no Rio de Janeiro, mulatas usam vestes vitorianas para a satisfação de uma elite prepotentemente europeizada. O "adeus à carne" é celebrado em seu inverso e, sobrepondo-se inclusive à dança, a carne domina todas as etapas do espetáculo. A carne do garoto João Hélio foi arrastada brutalmente por sete quilômetros há poucos dias, mas o samba não pára um segundo sequer. (Quantos quilômetros tem o sambódromo?) Gosto das manifestações de rua e dos personagens regionais, mas a mistificação das festas está longe de ser uma festa.
Ainda existem ótimos refúgios (e não só em Olinda) para a cultura original, a cultura verdadeira. Faço, portanto, uma crítica apenas à mercantilização cultural excessiva. O mito é uma fala que capta um fragmento da realidade e o transforma em totalidade e, ainda pior, em verdade inquestionável. É a naturalização dos costumes burgueses. Quando todos nós nascemos, aprendemos a reproduzir e legitimar a nossa existência através de alguns estereótipos como "o jeitinho brasileiro" ou "político é tudo igual". Aprendemos também a sermos cristãos e conformados por natureza. Afinal, para os brasileiros, mudança é assunto dos céus: nós somos o carnaval.

4 Comments:
Essas esteriotipações brasileiras (político ladrão, o famoso jeitinho) são frutos do próprio imaginário popular. No Brasil todo mundo quer ter opinião sobre tudo, é "chique" despejar palpites. Como a maioria não tem argumentos profundos, acaba em generalizações pueris (quem generaliza, tem que adimitir a falta de pretensão crítica da afirmação. Eu que o diga)
Quanto ao cristanismo, acho que vc tangenciou o tema. Primeiro, por que não especificou de que vertente cristã tratava. O protestantismo por exemplo, afirma que devemos lutar para termos uma melhor condição aqui na terra, sim.
O catolicismo, por sua vez, desistimula não só a cobiça (desejo que, em certas quantidade, é construtivo), como a inveja (desejo destrutivo). De fato, poderia provocar algum tipo de acomodamento. Mas, como a doutrinação religiosa no Brasil foi muito fraca, creio que não influenciou significativamente em nossa cultura. Ninguém aqui lê a bíblia ou segue piamente a religião. Justificar o acomodamento em cima da igreja, no caso brasileiro, acho incorreto(como toda opinião, posso estar enganado).
E, vale ressaltar, com a reforma protestante e posteriormente a ascenção do capitalismo, a doutrina católica tem se modificado em torno deste tema (até por uma questão estratégica).
P.S.: Também acho o carnaval do Rio um tédio :)
By
Ailton, at 13:08
Na verdade, utilizei os termos "cristão" e "céus" mais como um jogo de palavras do que uma crítica propriamente dita. Apenas um artificio para ilustrar o nosso processo de transvaloração =)
By
Fernando Júnior, at 21:41
Mofiooo num gosta de escola de samba??
eu amooo!!
Uh eh BEIJA-FLOR!! shuahhsuhasa
mas respeito logico =D
ei...
vc flw em Pirambu...empatou cum o corinthians e kuaaaaase ganha!!
o goleiro do pirambu foi u melhor jogador em campo!!
shuahushuhahushuas
no mais...parece q vc n gostou mt du carnaval...q pena amore!!
amO-te mtauns
xeru
By
Anônimo, at 03:34
ah se eu tivesse uma bazooca! :D
pq? depois explico, se é q vc já não sabe. =)
bom texto. gosto de suas palavras.
sem exageros pra chamar atenção.
;)
té mais!!
By
Anônimo, at 13:27
Postar um comentário
<< Home