De volta para casa
As terças-feiras são longas e cansativas. Resolvi fazer um pouco de hora na cama e me levantei na valsa às sete e quinza. "Quem precisa de tanta pressa assim", perguntei ao meu despertador. Infelizmente, ninguém ao meu lado dividindo o travesseiro. Isso muda, isso mudará. Ao menos, pães com requeijão para o café da manhã. Vamos à universidade então. No ônibus divido os segundos entre a realidade e o sonho, entre os estudos de semiótica e as minhas melhores lembranças. O que são dez horas do dia quando se tem uma vida inteira pela frente?
Às oito e meia passo pela porta da sala semi-deserta. O professor se ausenta sem justificativa prévia. Ponto para os alunos pontuais e meio para mim, que já havia me atrasado mesmo. Pausa para comprar uns brincos. Depois ando nos calcanhares para a disciplina mais enfadonha do semestre. Pior é admitir que foi uma escolha minha. Me irritam uma aluna arrogante e uma professora que defende com unhas e dentes que ensinar não é o seu dever, pois ela não pode "nos revelar os segredos do seu ganha-pão". Paradoxalmente, a mesma pessoa diz que é um absurdo a falta de interesse e de trabalhos acadêmicos sobre a sua área de atuação. A lógica é cegada por sua vaidade.
Após o almoço e a vontade inexplicável de um abraço, uma palestra proferida pelo Magnífico Reitor. Após um início interessante, traçando um paralelo entre as universidades e as corporações de ofício (quem me dera aquela professora tivesse assistido essa palestra), o orador e sua platéia dizem que todos os estudantes são burgueses da classe média endeusados e tratados como tal por diretores de escolas, por isso querem tudo nas mãos, além de afirmarem que a culpa da irresponsabilidade dos professores é nossa. "Eles reclamam que têm que comprar luvas para aulas de laboratório, mas por que não reclamam que estão sem aula", indaga uma delas. Nada de mais, afinal, sempre adorei ser tratado como um estereótipo cultural.
Coroei meu dia com um nove em Filosofia, mas eu não queria ser rei. Voltei para casa completamente súdito de meu desejo, que escondi durante as horas e a crônica. Talvez eu esteja exagerando um pouco, mas o que a vale a vida sem os nossos exageros? A única luz que abafava meu desespero eram os postes mal-iluminados na Desembargador Maynard. Às vezes, como um flash, vejo coisas estranhas pelas janelas, mas não lembro que coisas são essas. Eu só penso mesmo em pegar o telefone e transformar minha voz em uma declaração de amor. O maior presente é ouvir a sua voz em retorno. E mesmo com um plano-relâmpago, descontruído tão rápido como foi construído, eu durmo sem medo. Meu excesso de bem-estar causa uma alegre insônia. O travesseiro com cheiro meu espera o cheiro seu.
Às oito e meia passo pela porta da sala semi-deserta. O professor se ausenta sem justificativa prévia. Ponto para os alunos pontuais e meio para mim, que já havia me atrasado mesmo. Pausa para comprar uns brincos. Depois ando nos calcanhares para a disciplina mais enfadonha do semestre. Pior é admitir que foi uma escolha minha. Me irritam uma aluna arrogante e uma professora que defende com unhas e dentes que ensinar não é o seu dever, pois ela não pode "nos revelar os segredos do seu ganha-pão". Paradoxalmente, a mesma pessoa diz que é um absurdo a falta de interesse e de trabalhos acadêmicos sobre a sua área de atuação. A lógica é cegada por sua vaidade.
Após o almoço e a vontade inexplicável de um abraço, uma palestra proferida pelo Magnífico Reitor. Após um início interessante, traçando um paralelo entre as universidades e as corporações de ofício (quem me dera aquela professora tivesse assistido essa palestra), o orador e sua platéia dizem que todos os estudantes são burgueses da classe média endeusados e tratados como tal por diretores de escolas, por isso querem tudo nas mãos, além de afirmarem que a culpa da irresponsabilidade dos professores é nossa. "Eles reclamam que têm que comprar luvas para aulas de laboratório, mas por que não reclamam que estão sem aula", indaga uma delas. Nada de mais, afinal, sempre adorei ser tratado como um estereótipo cultural.
Coroei meu dia com um nove em Filosofia, mas eu não queria ser rei. Voltei para casa completamente súdito de meu desejo, que escondi durante as horas e a crônica. Talvez eu esteja exagerando um pouco, mas o que a vale a vida sem os nossos exageros? A única luz que abafava meu desespero eram os postes mal-iluminados na Desembargador Maynard. Às vezes, como um flash, vejo coisas estranhas pelas janelas, mas não lembro que coisas são essas. Eu só penso mesmo em pegar o telefone e transformar minha voz em uma declaração de amor. O maior presente é ouvir a sua voz em retorno. E mesmo com um plano-relâmpago, descontruído tão rápido como foi construído, eu durmo sem medo. Meu excesso de bem-estar causa uma alegre insônia. O travesseiro com cheiro meu espera o cheiro seu.

2 Comments:
Uouuuu!!
Uinversidade deve ser u ó!!
Vc fica falanu aih soh vai aumentanu a minha vontade!!
kkkkkkkkkkkkkkkkkk
Mas jajah toh lah!!
;********
amO-te
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Anônimo, at 03:21
sonho com mt coisas...vc precisava saber algumas delas
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Anônimo, at 01:26
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