O homem mais solitário do mundo
"Por que todo mundo sempre vai embora", perguntou o homem mais solitário do mundo. Estendeu a mão e não encontrou nada. "Antes houvesse um café, mas nem isso", pensou. Não era triste, apenas só. E, embora não vivesse na lua, todos passavam em sua vida como um eclipse. A existência alheia era um câncer que invadia lentamente a sua. O som de passos soavam em seus ouvidos como o Blitzkrieg em Guernica. Sempre brincou sozinho e é angustiante a visão de um quintal perturbado apenas por seu sorriso melancólico. Uma chuva finíssima e interminável. Guardava sempre no bolso o estilete que usava para se desenhar nas árvores.
Seus relógios sempre sem pilha e os calendários rasgados por mãos invisíveis. Viu os amigos, um a um, crescerem e abandonarem os lares, se entregarem a vícios, morrerem solitariamente por balas ou facões. "Acho que não preciso deles". Seu primeiro amor nunca o amou sob algum dos trezentos e sessenta e cinco sóis do ano. Decidiu não procurar o segundo. Tornou-se amigo e escravo apenas dos seus próprios segredos e daquele tronco em que sentava para observar o vôo dos pássaros para o sul. Ficava imaginando suas próprias asas. "Quantos sonhos valem um par de asas", questionou. A caixa do correio vazia. A resposta nunca veio.
Tudo mudou quando acordou e viu o tronco ocupado por alguém. Seus olhos e pensamentos vacilaram. "Por que tanto tempo depois", quis saber o homem, que já havia feito a barba quinhentas vezes. Talvez fosse sua única chance. Sentou-se ao lado daquela pessoa e, com os olhos fitando o chão, não ouviu palavra alguma. Tomou um pouco de coragem e resolveu olhá-la com pelo canto da esclerótica, mas não conseguiu decifrar o seu rosto. Até ensaiou sussurar algo, mas era impossível. Aquilo apertava o peito e só fazia doer. O desprezo é a pior forma de solidão. Talvez fosse melhor nunca ter conhecido alguém. Tirou o estilete do bolso e, como se fosse madeira nova, fez uma cruz no pulso. Antes de dormir no rio, rogou "adeus".
Seus relógios sempre sem pilha e os calendários rasgados por mãos invisíveis. Viu os amigos, um a um, crescerem e abandonarem os lares, se entregarem a vícios, morrerem solitariamente por balas ou facões. "Acho que não preciso deles". Seu primeiro amor nunca o amou sob algum dos trezentos e sessenta e cinco sóis do ano. Decidiu não procurar o segundo. Tornou-se amigo e escravo apenas dos seus próprios segredos e daquele tronco em que sentava para observar o vôo dos pássaros para o sul. Ficava imaginando suas próprias asas. "Quantos sonhos valem um par de asas", questionou. A caixa do correio vazia. A resposta nunca veio.
Tudo mudou quando acordou e viu o tronco ocupado por alguém. Seus olhos e pensamentos vacilaram. "Por que tanto tempo depois", quis saber o homem, que já havia feito a barba quinhentas vezes. Talvez fosse sua única chance. Sentou-se ao lado daquela pessoa e, com os olhos fitando o chão, não ouviu palavra alguma. Tomou um pouco de coragem e resolveu olhá-la com pelo canto da esclerótica, mas não conseguiu decifrar o seu rosto. Até ensaiou sussurar algo, mas era impossível. Aquilo apertava o peito e só fazia doer. O desprezo é a pior forma de solidão. Talvez fosse melhor nunca ter conhecido alguém. Tirou o estilete do bolso e, como se fosse madeira nova, fez uma cruz no pulso. Antes de dormir no rio, rogou "adeus".

2 Comments:
Como diz Milton Nascimento, "O solidário não quer solidão", mas agente aprende a viver com ela....
E se as pessoas passam como eclipse, nos cabe gozar do momento magico.... E se tiver chovendo na hora, e isso impedir que se de conta do que acontece por de traz das nuvens, agente senta e espera que uma hora vai estiar!! É só rezar que seja antes que um dos corpos celeste deixe de sobrepor a outro da perspectiva de quem enxerga.....
E perfeito Juninho, o desprezo é msmo a pior forma de solidão!!! Adorei essa definição!!
Bjus!!
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Anônimo, at 22:20
pq?
se sente solitario?
acha q nunca te amei nem uma vez no ano?
tsc tsc
brincadeira mor..te amo
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Anônimo, at 12:08
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