Casa, teatro e esquina

quinta-feira, março 08, 2007

À Vênus

Dói a luz do quarto acesa. Dói a chuva fina. Dói o mormaço que a segue. Dói a roupa desfiando melancolicamente. Dói a perna depois de pedalar quilômetros. Dói a lembrança dos amigos que já se foram ou até mesmo dos que estão por ir. Dói a escassez de explicações e o excesso delas. Dói o olho vermelho que já não encontra um colírio. Dói o silêncio dos corredores de hospitais. Dói a garota de dez anos estuprada. Dói o mar sujo pelos turistas. Dói o brinquedo de plástico. Dói a adolescência enclausurada.

Dói aquela viagem que não fiz. Dói a ausência do beijo. Dói a monossilábica ligação ao telefone. Dói a lágrima de outubro. Dói a incerteza do futuro. Dói não ter conseguido ir ao céu ou ao inferno. Dói a hora que não passa. Dói a saudade que não cessa. Dói a parede manchada do quarto. Dói a imensidão do espaço. Dói o dia em que não ouvi música. Dói o sono mal-dormido. Dói a rosa que não comprei. Dói saber que poucas são as mulheres que podem realmente comemorar esse oito de março.

Hoje, o que não dói é poder fazer ao menos uma delas feliz.

1 Comments:

  • haaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa..FODASTICA FODASTICA.....principalmente a parte que diz assim: "À vÊnus" kkkkkkkkkkkk q bossa hein...

    brincando...te amu viu...e dói em mim quando vc está com tantas dores... meninoooo do pé feio, se cuida viu..n te quero triste ( e nem de cabeça baixa) hauahauaahau

    xau lindo

    By Anonymous Anônimo, at 10:13  

Postar um comentário

<< Home