Casa, teatro e esquina

segunda-feira, abril 16, 2007

Diálogos de sábado à noite

- Não acredito que a oposição já está criticando o PT de novo.
- E o que o PT fazia quando o PSDB?
- Hoje, se Déda der um espirro, aquela horda do PFL diz à imprensa que ele causou uma epidemia de viroses.
- Ah, aí é culpa dos nossos meios de comunicação.
- Meios? E existe algum tipo de mediação naquilo? Me lembra até a "bala mágica"...
- Mas isso era na época dos nazifascismos!
- Época em que o povo era lubridiado por promessas de milagres socioeconômicos, não? O que mudou?
- Mudou que agora não precisam mais de rifles e aviões. TV anda mais barata que escola de qualidade.
- E ainda aquelas promessinhas de felicidade...como se a vida se resumisse simplesmente a isso!
- Eu sei que existem milhares de maneiras de nos sentirmos realizados...mas tenha calma! Sem gritos. Por que essa histeria?
- Sabe o que é? Não aguento mais ter que ser julgado por todos. O mundo de hoje parece um tribunal a céu aberto. São os jornais, a TV, a Constituição, os pais, os amigos, Deus, os vizinhos...todo mundo!
- "Não me peça para dizer quem sou e nem para permanecer o mesmo". Foucault.
- Li na Cult, esse domingo, um artigo sobre a Escola de Frankfurt.
- E eu assisti a "Oldboy" no último feriado.
- Sério? Mas o que era aquilo, hein? Que fantástico!
- Aquele plano-sequência da luta no corredor me lembrou "Final Fight"...bom Super Nintendo, que Deus o tenha.
- Mas sabe o que eu mais gostei daquele filme?
- A idiotice das regras que nos impõem e que nos atrapalham em nossas realizações pessoais?
- Justamente! Além de toda aquela belíssima composição visual quase alienadora, ilustrando a solidão e a fraqueza do homem diante da crueldade tecnológica contemporânea.
- O que tinha de mais no romance daquele rapaz com a irmã? Acho que agora entendo o que você quis me dizer...
- Regras! Julgamentos! Era um amor que não pertencia a ninguém senão a eles dois. Ninguém tinha o direito de soletrar algo a respeito deles.
- É...eu também me irrito com as representações sígnicas que circulam nos folhetins atuais sobre a juventude, como se juventude fosse sinônimo de aventura, loucura, promiscuidade.
- Já pensou? É como aquela teoria de Autran Dourado de que não devemos gastar mais do que vinte páginas com leituras enfadonhas, e sim utilizar nosso tempo na leitura dos melhores livros.
- E como saber qual o melhor livro?
- Só meu coração sabe responder essa pergunta.
- Ih...lá vem! Por que você insiste em fugir do debate apelando para motivações metafísicas?
- Sabe o que eu penso? Vocês, intelectuais, desconhecem a verdade que o corpo pode transmitir. A mente se confunde constantemente com a invasão do mundo exterior, enquanto o corpo não pronuncia mentiras. Muitas repostas para nossos questionamentos podem, sim, estar sendo ditos por nossos corpos.
- Oh, amor, desculpe. Eu não quis...
- Tudo bem, você sabe que só tenho olhos para você.
- Os olhos e todo o resto também, não é, nêgo?
- Claro, por você eu expulso São Pedro do céu e nos tranco a sete chaves no paraíso. Me dá um beijo...
- Ah, não. Aqui no meio de todo mundo? Nesse ponto, você sabe que eu sou careta.
- Caretice? Isso é romantismo! Nostalgia! Graças a nós é que sobrevivem os nossos melhores hábitos.
- Chame como você quiser. Mas que eu gostaria de viver contigo numa ilha...
- Nós dois, nós dois, amor...

2 Comments:

  • VC EH LOUIUUUUUUCOOO..vao pensar q fomos nos dois...kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    te amu mor...ultimos textos mt bons...se bem q o mehlor foi o da PIRAMBOLA..hauahau

    By Anonymous Anônimo, at 16:26  

  • Incrível!!
    Juninho x Juninho..só podia sair um diálogo desses..
    "bom Super Nintendo, que Deus o tenha", essa veio a chalhar, kk
    Um xeru Ju
    Ah, passa no meu dpois, tem um texto novinho.

    By Anonymous Anônimo, at 23:42  

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