No divã
Sabe o que é, doutor? Essa vida cor-de-burro-quando-foge é que me preocupa. Não sei, mas tudo parece tão descartável, tão coca-cola. Eu sempre achei que, se as coisas não foram feitas para durar, então nada vale a pena. Diga que concorda comigo: se você rega uma flor achando que ela morre amanhã, então não regue! Por outro lado, ninguém vive o futuro. Então não faz sentido você viver o presente pensando no futuro. Entende a lógica? É estranho, mas penso que as coisas são momentâneas e ao mesmo tempo eternas. É o equilíbrio, não? Isso! Só o equilíbrio salva!
Mas não ache que, porque tenho os olhos dez passos à frente, eu não sei suportar as perdas. Claro que sei. E como sei, doutor. Eu sei que meu jeito calado, comedido e ultra-tolerante não parece inspirar essa maturidade, mas é que tenho um exarcebado ceticismo para tudo. Posso estar errado, mas o que é estar certo, afinal? Levantar o troféu? Não, obrigado. Entretanto, eu insisto em acreditar demais nas pessoas. E não me arrependo, doutor! Para mim, não existem prioridades. Sempre acho que tudo é importante e merece máxima atenção e cuidados meus. Eu tenho esse coração amanteigado, essa vocação de Poliana. E adoro isso, confesso.
Eu sei que eu choro às vezes, mas sei porque choro. E acho que isso é bom, não é, doutor? Eu fujo das concepções fetichistas do que seja a amizade e outras coisas mais. Eu tenho, doutor, um amigo carioca que mora em Minas e somos dois grandíssimos companheiros, mesmo nos vendo um mês por ano. Isso é bom, não, doutor? Acho que ninguém tem razão de julgar minhas ações. Nem o senhor, doutor! Se eu sou romântico ou realista? Acho que nenhum e os dois ao mesmo tempo. Sabe de uma? Eu acho que eu sou moderno, é isso! Ou é muita prepotência minha? Não. Excesso de segurança.
Eu observo demais as pessoas e por isso deixei de acreditar nelas. Mas acredito em todas elas se sorriem sem motivo. Estranho, não? Cada pensamento meu parece uma frase solta. Se minha mente fosse virar livro, seria um poema da geração de 22. Nada. Tudo. Sabe? Deixa para lá. Eu não vou voltar na próxima semana, não. Essa consulta foi grátis? Não? Eu também não acredito nisso: pagar para alguém me ajudar. Quem disse que eu preciso de ajuda? Essa é boa, viu? Bom, já vou indo que a semana começa às sete para mim. Um abraço, viu? Foi um prazer, doutor. Aliás, não foi não: você não disse nada além do que eu já sabia.
Mas não ache que, porque tenho os olhos dez passos à frente, eu não sei suportar as perdas. Claro que sei. E como sei, doutor. Eu sei que meu jeito calado, comedido e ultra-tolerante não parece inspirar essa maturidade, mas é que tenho um exarcebado ceticismo para tudo. Posso estar errado, mas o que é estar certo, afinal? Levantar o troféu? Não, obrigado. Entretanto, eu insisto em acreditar demais nas pessoas. E não me arrependo, doutor! Para mim, não existem prioridades. Sempre acho que tudo é importante e merece máxima atenção e cuidados meus. Eu tenho esse coração amanteigado, essa vocação de Poliana. E adoro isso, confesso.
Eu sei que eu choro às vezes, mas sei porque choro. E acho que isso é bom, não é, doutor? Eu fujo das concepções fetichistas do que seja a amizade e outras coisas mais. Eu tenho, doutor, um amigo carioca que mora em Minas e somos dois grandíssimos companheiros, mesmo nos vendo um mês por ano. Isso é bom, não, doutor? Acho que ninguém tem razão de julgar minhas ações. Nem o senhor, doutor! Se eu sou romântico ou realista? Acho que nenhum e os dois ao mesmo tempo. Sabe de uma? Eu acho que eu sou moderno, é isso! Ou é muita prepotência minha? Não. Excesso de segurança.
Eu observo demais as pessoas e por isso deixei de acreditar nelas. Mas acredito em todas elas se sorriem sem motivo. Estranho, não? Cada pensamento meu parece uma frase solta. Se minha mente fosse virar livro, seria um poema da geração de 22. Nada. Tudo. Sabe? Deixa para lá. Eu não vou voltar na próxima semana, não. Essa consulta foi grátis? Não? Eu também não acredito nisso: pagar para alguém me ajudar. Quem disse que eu preciso de ajuda? Essa é boa, viu? Bom, já vou indo que a semana começa às sete para mim. Um abraço, viu? Foi um prazer, doutor. Aliás, não foi não: você não disse nada além do que eu já sabia.

1 Comments:
Sem comentarios dessa vez...
Vc já disse tudo né!!
E sabe disso!!!
=)
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Anônimo, at 14:14
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