A perda das horas
Por que a pressa se amanhã, afinal, não existe? Eu já dizia - compassadamente - que as flores podem não estar na cidade em que se pretende chegar. E por que esses automóveis tanto te acompanham em seus passos? O que era caminho se tornou estrada e o que era curva se tornou reta. Gostava de quando a gente andava e parava, andava e parava, andava e parava, apreciando cada pedacinho de verde que não precisava de permissão estatal para crescer ou se manter em um local afastado das placas.
Gostava do tempo em que se viviam os dezenove como se fossem os dezenove, e não a preparação para os vinte ou os oitenta. Ah, tempo bom! É de se deliciar lembrar as crianças que brincavam com imaginação e os pais não precisavam dizer que só o real salva, só o real é que tem valor sobre a terra. Mentira deslavada, daquelas de destruir sonho ou bolo de aniversário. Foram-se os dias em que se acendiam menos velas, mas todas elas queimavam com intensa paixão até o último branco da cera.
O amor era regrado apenas pelo infinito que o momento oferece, aquele infinito que pode não durar por todas as horas, mas que tem paredes de algodão. Se no inferno o passado se apresenta sempre em forma de presente, eu nego isso de olhos abertos e não deixo o meu sorriso ser a sombra do sorriso de outrora. Transformo o que já não existe mais em assunto de conversa de bar, de cama vazia ou de papel novo. Aliás, essa nostalgia angustiante não me provoca choro, mas o deleite de se estar vivo e iluminado.
Ignoro tudo o que não for agora. Já é hora, aliás. Vou me lançar por aí.
Gostava do tempo em que se viviam os dezenove como se fossem os dezenove, e não a preparação para os vinte ou os oitenta. Ah, tempo bom! É de se deliciar lembrar as crianças que brincavam com imaginação e os pais não precisavam dizer que só o real salva, só o real é que tem valor sobre a terra. Mentira deslavada, daquelas de destruir sonho ou bolo de aniversário. Foram-se os dias em que se acendiam menos velas, mas todas elas queimavam com intensa paixão até o último branco da cera.
O amor era regrado apenas pelo infinito que o momento oferece, aquele infinito que pode não durar por todas as horas, mas que tem paredes de algodão. Se no inferno o passado se apresenta sempre em forma de presente, eu nego isso de olhos abertos e não deixo o meu sorriso ser a sombra do sorriso de outrora. Transformo o que já não existe mais em assunto de conversa de bar, de cama vazia ou de papel novo. Aliás, essa nostalgia angustiante não me provoca choro, mas o deleite de se estar vivo e iluminado.
Ignoro tudo o que não for agora. Já é hora, aliás. Vou me lançar por aí.

3 Comments:
parei...
(amga de pipoca=talita)
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Unknown, at 11:05
divinamente bom... tome cuidado ao visitar o lixão do meu blog! pq foi assim q me senti ao ler o seu! parabéns!
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Filipe Freitas, at 11:27
to me fazendo assiduo aqui! e foi meu aniversario sim!!!brigadao pelo comentario e, principalmente,pela visita!
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Filipe Freitas, at 20:04
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